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Quase perto do voo…

Queria chegar mais próximo, transformar os braços em asas
Num voo profundo e misterioso…

Avistar os pequenos detalhes que se perdem no redemoinho do cotidiano
Perceber a vida de forma descomplicada
Pisar leve
Sentir o gosto doce/amargo da boca desconhecida.

Os olhos quase se fecham.
Me lembro do pássaro tão perto,
Da vida simples
Do coração que não deixa o sonho passar…

A necessidade de escrever vem de um sentimento profundo sobre o qual, muitas vezes, não é possível recionalizar. Surge o desejo incontrolável de falar sobre algo, ou melhor, de expor o que parece tão confuso e simbiótico. A cabeça formula pensamentos, cria a atmosfera de palavras prestes a serem lançadas… Mas o sentido revelador só vem à tona quando o pensamento se internaliza, percorre todo o corpo, transformando-o apenas num coração que anseia externar os mais indecifráveis sentimentos. Talvez transpor o que não faz sentido algum…

Lidar com um turbilhão de sensações buscando apenas o VAZIO, saciando a sede de uma angústia perfeita…

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Os meus cabelos desgrenhados confundem-se com os pensamentos distantes… Os cachos se enrolam num resquício de razão que some, deixando apenas um leve sinal de que a lembrança é recriada, reformulada, porém suas raízes se tornam mais profundas e densas. O abismo atrai os olhos graúdos, pretos, imóveis… A coruja fixa as pupilas ao longo do caminho. Paro, observo e desejo asas para ver além dos limites de uma vida previsível…

 

 

O salto perplexo busca pedaços úmidos de ar…
A respiração seca pausa e pensa, para e capta palavras escassas, quase mudas
Quase incapazes de dissolver a dor disfarçada de bem-estar.

A garganta é um profundo labirinto que desemboca num estômago ressequido
A acidez borbulha, gera a frase infame , acorda o olhar perplexo.

A brisa esquecida toca o tambor em outras terras, desperta o coração de outra vida.

Os dedos rígidos pensam no fim do poema,
A boca anseia a saliva que transborda e escorre pelo corpo nu…

Sol e verde, Mar e VIDA...

As raízes desprendem-se do solo e os galhos tocam o mar que percorre o corpo cansado, ansioso de paz. Os pés caminham sem rumo e inconscientemente os pensamentos desejam fechar círculos que precisam ser velados… O luto sepulta a dor adormecida, entoa a canção que outrora embalava o coração, deixa a cabeça vazia e capaz de construir outros CÍRCULOS, alimentar outras histórias…

O luto dura o tempo que a vida necessita para brotar mais bela, forte e tranquila. A raiz dispersa no mar, às vezes, grita, chora e deseja voltar ao corpo-tronco… Mas a vida GIRANDO só quer uma leve lembrança, o sentimento reconstruído que precisa seguir, caminhar e fazer brotar outras raízes…

Todas as pegadas deixadas no caminho – leves, bruscas, profundas, superficiais, curtas ou longas – deixam na alma as marcas necessárias para o amadurecimento. Como lidar com estas marcas é o desafio que não pode nos deixar presos ao passado nem esquecidos das trilhas do presente. Equilibrar toda a sorte de lembranças, vivências e sentimentos é, sem dúvida, um malabarismo, a corda bamba que exige dos nossos pés e mente concentração e, ao mesmo tempo, a leveza que nos guie pelo HOJE, pelo INSTANTE que será passado se não o vivermos em plenitude.

Morro de SP/Bahia

Ver o pôr do sol é estar mais próxima das coisas simples da vida… Caminhar tranquilamente, sem a pressa tão comum no dia a dia, a preocupação excessiva com a pontualidade no trabalho, o medo de perder o metrô ou o ônibus quando já estamos atrasados para os compromissos.

Enfim… No cotidiano temos uma lista quilométrica de afazeres que, se não reservarmos um tempinho para as atividades das quais gostamos, acabamos nos perdendo e sempre deixando para depois as coisa que nos fazem bem.

Nas férias, contudo, o TEMPO é tão amigo e companheiro que as preocupações sem sentido se vão e fica apenas a leveza de dias calmos e harmoniosos.

Andar pelas areias de Morro de São Paulo, na Bahia, é sentir a brisa e o mar tranquilos tocarem os nossos pés que deixam de lado a pressa do dia a dia e mergulham na natureza repleta da simplicidade que nos completa…

Penso muito, escrevo pouco… Espero um sopro de inspiração, um pedaço de céu que encoraje as palavras a povoarem as lacunas da minha cabeça.

Da janela vejo prédios, apenas…

São grades, muros… Poucos rostos, sorrisos quase ausentes…

Acordo…

A vida quer gritar, mas permanece muda…

O meu coração procura a paz aflita, o medo libertador…

Respiro o ar seco…

Como a esperança boba e fugaz…

SOU APENAS… QUASE ESTOU…

Outro dia estava na dermatologista e havia duas senhoras na minha frente conversando. Como quem nada queria, acabei prestando atenção no diálogo por alguns motivos. Elas falavam sobre plásticas no rosto, botox, e outras técnicas modernas de tratamentos que possibilitam retirar ou diminuir as MARCAS da face.

Sabe… Não tenho nada contra tratamentos estéticos, desde que a pessoa realmente queira aquilo de verdade, com o objetivo de satisfazer a si mesma. Infelizmente, muitas estão PRESAS às convenções sociais e indústria do consumo que “endeusam” e propagam a juventude do corpo acima de tudo.

O que me deixou intrigada foi ouvir e refletir posteriormente sobre a expressão “RETIRAR AS MARCAS”. Embora eu tenha 33 anos e não tenha atingido a essência da maturidade trazida pelo tempo, fiquei um pouco perplexa e desapontada…

Quando falamos em MARCAS, lembramos de fatos, momentos e histórias MARCANTES. Claro que não são apenas recordações positivas, uma vez que a vida é uma COLCHA DE RETALHOS e nela diferentes fatos podem acontecer contribuindo para nosso crescimento, mesmo que o amadurecimento seja por meio da DOR.

Achei estranho o fato de aquelas senhoras quererem retirar suas MARCAS por meio de cirurgias estéticas. É como se estivessem retirando também parte dos momentos que MARCARAM suas vidas. Obviamente sei que este é um procedimento externo e que o interior daquelas mulheres pode continuar INTACTO mesmo após várias cirurgias. Mas me chocou o fato de ser tão natural tornar pseudo-invisíveis as marcas que o coração jamais esconderá, mesmo com a tentativa de camuflá-las.